Sofrimento: liberdade cura

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Gosto de sair dirigindo por estradas e, numa breve viagem, parei meu carro num determinado lugar para tomar um cafezinho e driblar o sono. A pessoa que me atendeu estava com a fisionomia triste, aparentemente sofrida. Os nossos olhares se cruzaram e ela me perguntou: – “O sofrimento pode ser evitado?”

Senti que não deveria responder de imediato nem questionar a sua pergunta. Então, devolvi com outra pergunta: – Você já pensou na relação entre sofrimento e liberdade, principalmente, aquela que sentimos, ou seja, você se sente livre? – Ela respondeu: “Não”. Foi aí que lhe perguntei: – O que depende de você, e não dos outros, para se sentir livre e amenizar o seu sofrimento? – Ela respondeu: “Livrar-me do sentimento de culpa e conseguir perdoar a mim mesma e à uma outra pessoa, mas, não consegui ainda.”

Este breve diálogo me levou a uma reflexão que compartilhei com ela: 

– Eu sei que não é fácil evitar sofrimentos e que cada pessoa tem a sua forma/condição de amenizar as adversidades, mas, sob a minha visão, uma das possibilidades consiste em avançarmos no processo de libertação, atentas ao que depende ou não de nós. Não devemos cultivar sentimento de culpa, mas nos perdoar e perdoar o outro, mesmo quando ele não nos pede perdão ou não está mais entre nós. Outras ações que nos libertam: acolher as pessoas nas suas dificuldades, mesmo quando essas pareçam simples; exercitar a compaixão e a bondade, a qual pode ser aprendida, como me ensinou Dalai Lama, quando estive com ele em Dharamshala/Índia. – Ela me escutou empaticamente e sorriu com amor, sentimento que contempla todos ou outros, pois nos faz sentir mais plenos, nem que seja por instantes.

Como estava de passagem, dei um até breve, retornei ao carro e parti. Foi um encontro breve, mas benéfico, também, para mim. E você, como vê a relação entre liberdade e minimização de sofrimento?