Não é de agora que tenho me preocupado com a falta de tolerância que assola o mundo. Tenho me exercitado bastante, mas, ainda, não o suficiente, confesso.
Não há fórmulas, mas, quando estava na Estação Rodoviária de uma cidade indiana, tive um insigt e, o curioso, é que ele emergiu de uma situação que considerei, a princípio, intolerável. Não dá para descrevê-la com exatidão, mas, quando me vi: tendo que me sentar no chão para esperar o ônibus porque as cadeiras pareciam mais sujas do que o próprio chão; entrando em um sanitário com condições precaríssimas; vendo lixo espalhado pelo chão e um rapaz varrendo as mesas do fast food da Rodoviária com a mesma vassoura que estava varrendo o chão; observando pessoas comerem com as mãos sujas etc, parei um pouco, o que me permitiu lembrar que aquela não era a minha cultura e que devia respeitá-la.
Então, respirei fundo e pedi iluminação para ser tolerante, pois, assim como aprendemos com o processo de dor, este é um excelente exercício (embora doloroso) para aprendermos a ser pacientes e tolerantes, ou seja, ao não podermos interferir na cultura ou nos sentimentos do outro, devemos nos recolher no silêncio, aquietar o nosso coração e agradecer pelo que conseguirmos.
Algum tempo depois, retornei à Índia e estive em Dharmashala fazendo um Dalai Lama Teacher com o próprio 14º Dalai Lama, que nos falou sobre a importância de aprendermos a tolerância a partir da intolerância, revelando como podemos transformar a nossa intolerância em atitudes compassivas de paciência e tolerância, ressignificando este termo/sentimento como uma atitude em relação à vida, que nos permite lidar melhor com as dificuldades. Concordo com ele e acrescento que, no meu caso, observo que, quando viajo, exercito mais a tolerância, talvez porque fico mais tempo diante do desconhecido, mais em silêncio do que quando estou em casa.
E você, o que tem feito para ser mais tolerante, especialmente nesta pandemia?
