Feliz por nada: milagre do Caminho de Santiago de Compostela?

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Eu sempre me perguntei: – Há possibilidade de o ser humano alcançar a plenitude (completude, inteireza, totalidade) ou em determinados momentos e/ou situações poderá se sentir feliz, pleno?

A resposta a esta pergunta veio em um momento ímpar da minha vida, quando me senti completa, plena, com uma felicidade indefinível. Foi quando caminhava na Galícia-Espanha, em direção à Santiago de Compostela, numa floresta de eucaliptos, cujo cheiro invadia a minha alma. Estava subindo um monte sob uma chuva fria e “fina”. Havia caminhado muito. Estava cansada, com fome e com sede. Sentei-me sobre um tronco de eucalipto, comi um pedaço de pão que ainda tinha na mochila e bebi o restante da água que dispunha.

Parecia tão pouco, mas, de repente, senti um estado de felicidade plena: senti-me sorrindo para o mundo, até consegui visualizar a minha face sorridente e os meus olhos brilhando. Uma leveza se apoderou de mim de tal forma que não consegui explicar, mas arrisco dizer que foi como se eu tivesse regressado à infância, aos meus três anos de idade, e ainda estivesse em Vila Pereira, uma cidadezinha mineira, onde vivi nessa idade, e vi aquela casa de “telha vã” onde morávamos, com uma bica colocada no telhado por meu saudoso pai, para “aparar” água, mas que usávamos para um banho delicioso e lúdico. Não apenas isto, me vi, com os meus irmãos e amigos, sob aquela chuva de granizo que caia sobre a cidadezinha, saboreando a inocência das crianças e, quem sabe, dos anjos.

Foi incrível! Como me senti “feliz por nada”, como Marta Medeiros intitula uma das suas crônicas. Esse foi um dos únicos momentos da minha vida que conheci o que deve ser “felicidade plena” (milagre do Caminho de Santiago?)

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