Tenho o privilégio de não saber quase tudo.
E isso explica
o resto.
Manoel de Barros
Como algumas pessoas questionam a liberdade que há no poema, vale lembrar alguns dos seus aspectos: – poema é um gênero textual em versos (cada uma das linhas que constituem um poema e um conjunto de versos com sentido completo chama-se estrofe) e, mais raramente, em prosa (nome que se dá à forma de um texto escrito em parágrafos) em que a poesia, forma de expressão estética através da língua, geralmente se manifesta.
Além dos versos, não obrigatoriamente, fazem parte da estrutura do poema as estrofes, a rima e a métrica. Conforme a disposição dos versos e dos outros elementos estruturais, os poemas podem receber classificações ou nomes específicos (ou ser considerados gêneros literários próprios) tais como haicai (forma de poesia japonesa, ainda em voga, composta de três versos, sem rima), poema-colagem (equivalente poético de uma colagem para as artes visuais, podendo ser escrito em versos livres, sem nenhum esquema de rimas ou métrica específicas ou restrições silábicas), soneto (tradicional forma poética do gênero lírico. Com origem na Itália, este tipo de poema encontrou na literatura brasileira representante como Vinícius de Moraes, que nos brinda com Soneto de Fidelidade – “De tudo ao meu amor serei atento/ Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto/ Que mesmo em face do maior encanto/ Dele se encante mais meu pensamento […]”
Fortemente relacionado com a música, a beleza e a arte, o poema tem as suas raízes históricas nas letras de acompanhamento de peças musicais. Até a Idade Média, os poemas eram cantados. Só, depois, o texto foi separado do acompanhamento musical. Tal como na música, o ritmo tem uma grande importância. Um poema também faz parte de um sarau (reuniões em casas particulares para expressar artes, canções, poemas, poesias etc). No poema, gênero textual em verso, na maioria das vezes há poesia, ou seja, caráter do que emociona, toca a sensibilidade e sugere emoções por meio de uma linguagem.
Na Grécia Antiga, o poema foi a forma predominante de literatura. Os três gêneros (lírico, dramático e épico) eram escritos em forma de poesia. A narrativa, entretanto, foi tomando importância, ficando a poesia mais relacionada com o gênero lírico. A poesia tinha uma forma fixa: seus versos eram metrificados, isto é, eram observados os acentos, a contagem silábica, o ritmo e as rimas.
A contagem silábica dos versos foi sempre muito valorizada até o início do Século XX, quando a obra que não se encaixasse nas normas de metrificação não era considerada poesia. Isto mudou com a influência do Modernismo – movimento cultural, surgido na Europa que buscava ruptura com o classicismo.
Atualmente, o ritmo dos versos foi liberado, sendo possível os chamados “versos livres” que não seguem nenhuma métrica. Esta forma facilita a expressão de sentimentos pelos não experts, tecnicamente, no assunto ou não.
Caso o leitor queira citar este texto, deverá utilizar a referência como apresentada abaixo:
Referência
BRITO, Delva. A liberdade que há no poema. Salvador, BA, 2021. Disponível em: https://www.delvabrito.com.br. Acesso em: dia mês ano (Ex.: 20 mar. 2021).