Deserto de Sahara/Saara – Norte da África

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Minha segunda experiência desértica foi no Deserto de Sahara/Saara, o maior deserto quente do mundo e o terceiro maior deserto da terra, após a Antártida e o Ártico, onde a maioria da população é formada por árabes e berberes. Está localizado no Norte da África e tem uma área total de 9.065.000 km², sendo esta equiparável às da Europa e dos EUA e maior do que a área de muitos países continentais como Brasil, Austrália e Índia. Este deserto compreende parte dos seguintes países e territórios: Argélia, Chade, Egito, Líbia, Mali, Mauritânia, Marrocos, Níger, Saara Ocidental, Sudão e Tunísia.

Como informei no texto anterior, após visitar o Deserto de Zagora, fui para o Deserto de Sahara/Saara. Esta nova experiência começou em Quarzazate, onde fui integrada num grupo de oito pessoas (4 casais jovens: 1 da Alemanha, 1 da França, 1 da Espanha e 1 da Eslováquia).

De Quarzazate seguimos para Boumalene Dades, Dades Gorges (garganta), Tinghir, Todra Gorges, Rissani, Erfoud, chegando em Merzouga, uma pequena aldeia berbere, no Deserto do Saara, localizada a cerca de 35 km de Rissani, 40 km de Erfoud, e 20 km da fronteira com a Argélia. A aldeia Merzouga é considerada a porta de entrada para o Deserto de Sahara/Saara. Tivemos o privilégio de passar por regiões desérticas belíssimas.

Em uma hospedaria dessa aldeia, preenchemos uma “ficha”, tipo a da Alfândega, que incluiu dados pessoais, inclusive do passaporte. No fundo da hospedaria estavam os camelos/dromedários, sentados/deitados, nos esperando, com aparência de maltratados. Pareciam cansados. Não me senti confortável ao vê-los tão desalentados! O esforço para montar neste animal foi imenso, diante da sua aparência esgotada e pelo desconforto relativo ao tipo de montaria.

Em seguida, ao entardecer, fomos para o Sahara neste animal tão sofrido! Sinceramente, jamais pensei que montar em camelo/dromedário fosse tão “duro”, até porque a experiência desértica anterior (Deserto de Zagora) não me revelou isto. A área desértica do Sahara é mais acidentada do que a de Zagora, pois há dunas altas e descidas abruptas. Portanto, os camelos “trotavam”, dobravam as pernas, principalmente quando desciam as dunas (que são muitas). Como iam em “fila”, com uma corda presa, levemente, ao outro, mas guiados, em todo o percurso, por um berbere (povo que assumiu o controle de Marrocos no século XI), quando paravam eles, às vezes, encostavam um no outro. Um sufoco! Fomos compensados por uma paisagem extraordinária, com dunas altas, formatos “livres” e/ou “geométricos” e a beleza do pôr do sol.

O acampamento era diferente do de Zagora. As tendas eram precárias (improvisadas): pequenas, cada uma com 5 camas estreitas, de “tubos” de ferro, próximas umas das outras, com colchões finos, sem lençol, apenas 1 cobertor; não havia água nem luz nem sanitários (ainda bem que levamos água mineral para lavar o rosto) e usamos o Deserto de Sahara como sanitário. Pode? Pois é, aconteceu assim! À tardinha, tivemos o privilégio de curtir dunas lindíssimas e o pôr do sol.

Para me sentir no Sahara e apreciar o céu, a lua etc, dormi fora da tenda. Outras pessoas me acompanharam. Quase não acreditei quando vi um carro, em pleno deserto, indo em direção ao acampamento onde estávamos, subindo e descendo dunas. Não entendi o porquê de permitirem que carros circulem por algumas partes do Sahara ou para levar algo ou para levar turistas.

À noite, nos ofereceram um jantar vegetariano, chá e tocaram tambores. No dia seguinte, às 5 da manhã, vimos o nascer do sol e retornamos à Merzouga. Tive que trocar de camelo porque o que eu estava descia as dunas muito rápido e o meu corpo ia para a frente. Algumas vezes, tive a sensação que iria cair. Fiquei “moída”, como dizemos na minha terra.

De Merzouga, o grupo retornou à Marrakech e, dessa cidade, retornei à Londres.

Para você leitor, que pretende ir ao Sahara, sugiro levar máquina fotográfica, lanterna, água mineral, copo, frutas secas, papel higiênico, saco de lixo, toalha pequena, mantas (tipo saída de praia) para cobrir o colchão e se cobrir.

Enfim, fiquei feliz pela oportunidade de viver esta experiência rica em todos os sentidos!