O Deserto de Zagora fica no Norte da África, na região de Maghreb/Marrocos. Para maiores esclarecimentos sobre esta região, convido você, leitor, a ler o texto anterior intitulado “Marrakech – Norte da África”, no qual apresento dados gerais da África enfatizando o norte deste país, que comporta os países do Maghreb, do Sahara e o vale do Nilo.
Neste texto, continuo na região do Maghreb, onde os árabes representam cerca de 70% da população, os berberes 30% e todas as outras etnias não chegam a 1%; a economia baseia-se na agricultura, nos serviços, na indústria transformadora e na exploração mineral; as principais produções das indústrias transformadoras são os produtos alimentares e têxteis.
Os brasileiros que ainda não visitaram esta região, mas que têm acesso à Globo (TV), poderão conhecer um pouco da sua cultura, em especial de Marrocos, através de o “Clone”, novela reapresentada, no Brasil, neste momento (outubro de 2021).
Como decidi ir para o norte da África?
Estava em Londres há 40 dias fazendo uma assessoria na construção de uma dissertação (mestrado). Após este trabalho, encontrava-me um pouco cansada e precisava espairecer. Como viajar, para mim, é terapêutico, fui para Marrakech/Marrocos, onde surgiu a possibilidade de realizar um antigo sonho: conhecer, literalmente, um deserto. Então, visitei uma agência de turismo e fiz dois pacotes: um para o Deserto de Zagora (objeto deste texto) e outro para o Deserto de Sahara (objeto do próximo texto).
Assim, a minha primeira experiência “desértica” (Deserto de Zagora) começou nesta cidade. Fui a uma agência de turismo e tive a sorte de ela me colocar num grupo de 15 pessoas.

O grupo: participantes de diferentes países, mas unidos pelo desejo de conhecer o Deserto de Zagora
Neste grupo havia dois casais portugueses, um casal francês, um casal inglês, dois casais espanhóis e dois rapazes da Guatemala. A interação entre os integrantes deste grupo foi rápida. Parecia que nos conhecíamos há muito tempo pois houve empatia, solidariedade, paciência, paz e muita alegria, prevalecendo bons sentimentos seguidos de ações que revelaram maturidade para a convivência em situações diferentes e com pessoas diferentes. Nos divertimos bastante, até em situações difíceis.
Depois, seguimos para Tzin-n-Ticha, apreciando a linda paisagem montanhosa.
Chegamos na aldeia tradicional Alto Atlas Berber de Telouet e continuamos em direção à Ksar Ait Bem Haddou, uma vila fortificada, espetacular. Observei, no percurso, que os berberes (povo que assumiu o controle de Marrocos no século XI e governou este país, agregando-lhe reinos vizinhos e, também, a parte sul da Península Ibérica, até o fim do século XII) vivem em casas construídas com paus cruzados (como se fossem para fazer cerca) e barro (tipo casa de taipa), dando a impressão de ruínas. Em determinado momento, pensei que estava numa ruína, mas me encontrava em uma vila dos atuais berberes.
Depois fomos até o Vale de Dades. Percorremos um caminho montanhoso, cujas belezas naturais são indescritíveis. Visitamos algumas cooperativas que produzem tapetes com pelos de camelos, pintados com “sumo” de flores. Aqui, uma curiosidade sobre os tapetes: – A tradição dos tapetes berberes está relacionada ao casamento, os quais são sempre produzidos pelas mulheres que, quando vão se casar, ganham um dote do seu marido, um baú ornamentado e cheio de especiarias (panelas de prata, vestidos etc). Elas retribuem aos maridos tecendo um tapete. Cada desenho no tapete tem uma simbologia e, assim, o marido pode saber melhor como a mulher se sente.
Continuamos o nosso caminhar e chegamos numa hospedaria de onde partimos, de camelo/dromedário, até o Deserto de Zagora. Nesse percurso, os camelos foram amarrados levemente uns nos outros e guiados, em fila, por um berbere (povo que assumiu o controle de Marrocos no século XI). A viagem de camelo não foi tão dura quanto a que fizemos, depois, em direção ao Deserto de Sahara, porque a área desértica de Zagora é mais plana (Só soube deste “pequeno detalhe” depois que fui ao Sahara). O prazer de estar ali com pessoas tão generosas e simpáticas, contribuiu muito para aliviar, literalmente, a “dureza” que foi viajar de camelo/dromedário.



Um berbere guiando os camelos / dromedários 











Neste acampamento, as tendas eram simples, mas de tamanho razoável, com 4 camas cada e colchões. Havia pouca água (levamos água mineral que usamos até para lavar o rosto); só havia luz artificial até às 22h (à base de bateria); e “sanitários”, se assim podemos denominá-los.

Acampamento no Deserto de Zagora 
Acampamento (tendas) no Deserto de Zagora (eu e dois berberes)
À noite, ofereceram um jantar vegetariano, música, dança e, pela manhã, café. Aqui, vale destacar uma curiosidade sobre o jantar marroquino: os pratos são trazidos pouco a pouco. Primeiro, uma mulher traz uma bacia de metal com sabão no meio, às vezes feito de esculturas artesanais, e água em volta. As mãos são lavadas e uma toalha é oferecida para secá-las. Há o costume de beber chá verde com hortelã (menta) e açúcar antes e depois da refeição e agradecer a Deus dizendo bismillah. As pessoas comem, antes, um prato comunitário, com a mão direita, o polegar e os dois primeiros dedos. No fim das refeições, agradecem novamente dizendo all hamdu Lillah, ou seja, graças a Deus, e repetem o ritual de lavar as mãos. A alimentação é, predominantemente, vegetariana; a sobremesa é composta de frutas; chás sempre são servidos.
Ao deixarmos o Deserto de Zagora, fomos para Quarzazate.
Em Quarzazate visitamos o Museu, que se encontrava em reforma, de modo que foi permitido vivermos um momento ímpar e nos divertir bastante.
Após essa visita, o grupo se despediu com “saudades”, pois nem todos os participantes iriam ao Deserto de Sahara. Este não foi o meu caso. Felizmente, a partir de Quarzazate, o meu destino foi, justamente, o Deserto de Sahara, objeto do próximo texto.
Para você, leitor, que pretende visitar o norte da África, saiba que pode usar qualquer tipo de roupa. Não usei burca para caminhar pelas ruas, mas roupa normal e alguns vestidos africanos. As próprias nativas não usam, obrigatoriamente, burca. Em decorrência do turismo, a população está acostumada a conviver com mulheres e homens de outras nações e de diferentes religiões.
Gostou de visitar, comigo, o Deserto de Zagora?




























































































































