O Peru é um país sul-americano localizado no hemisfério sul ocidental, banhado pelo Oceano Pacífico a oeste; limitando-se ao sul com o Chile; ao leste, com o Brasil e a Bolívia; e, ao norte, com o Equador e a Colômbia. A sua extensão territorial é de 1.285.216 km²; idiomas oficiais: espanhol, quechua, aymará. Embora sua moeda seja o soles, levei dólar porque, neste país, esta é a opção mais prática por garantir boas cotações. Esta República presidencialista foi o principal centro do Império Inca, que obteve a sua independência em julho de 1821, após três séculos de dominação espanhola. A Cordilheira dos Andes é responsável por dividir este país em três grandes regiões: litoral, altiplano andino e a Amazônia peruana. A porção litorânea, onde está localizada a capital (Lima), é a mais populosa do Peru. O clima é árido tropical (litoral), de montanha (altiplano e cordilheira) e equatorial (região da Amazônia peruana).
No meu imaginário, o Peru sempre foi um lugar mágico, mítico, ímpar. De tudo que sabia sobre ele, a minha maior curiosidade centrava no Inti Raymi ou Festa do Sol, uma das principais festas deste país desde a época Inca. É realizada, primeiro, em Coricancha, depois, na praça maior de Cusco, sendo finalizada no Centro Arqueológico de Sacsayhuaman (ruínas megalíticas de uma grande fortaleza cerimonial Inca), todos os anos, no dia 24 de junho, juntamente com as festividades do solstício de inverno no hemisfério sul. A organização dessa festa é de responsabilidade da prefeitura de Cusco, através de uma empresa criada especialmente para a organização de festas nesta cidade. Para assistir à cerimônia completa, adquiri, ainda em Salvador-Bahia-Brasil, com antecedência, um ingresso em uma agência de turismo de Cusco.

Inti Raymi ou Festa do Sol 




Lhama
Decidi ir do Brasil direto para Cusco, com uma breve passagem pelo aeroporto de Lima. Fiquei dois meses no Peru, sendo um mês em Cusco, situada nos Andes peruanos, capital do Império Inca, mas, agora, conhecida pelos seus vestígios arqueológicos e sua arquitetura colonial espanhola. É, também, a capital arqueológica da América do Sul, fundada por Manco Càpac e Mama Ocillo, filhos do Deus Sol, que, segundo a lenda, saíram do Lago Titicaca para ser o centro de um grande reinado. Cusco é uma cidade pequena e aconchegante. Devido a sua altitude, produz o efeito “soroche” (a pessoa, em geral, apresenta dificuldade para respirar, sendo orientada a beber chá de coca). O clima da região é semi seco e frio, com o ar rarefeito. Chuvoso de dezembro a março e ensolarado de maio a setembro. A temperatura máxima é de 270 e, a mínima, de 110 a 40. A Plaza de Armas é a praça central da cidade antiga, com arcadas, varandas esculpidas de madeira e ruínas de muralhas incas. O Convento de Santo Domingo, em estilo barroco, foi construído em cima do Templo do Sol Inca (Coricancha). Encontrei duas peruanas com uma lhama, animal simbólico do Peru, usado para transporte, produção de lã, couro e carne. Inacreditável! No mês que fiquei em Cusco, hospedei-me em um albergue muito aconchegante, conheci a cidade e seus arredores. Visitei, dentre outros, o Templo del Sol, Koricancha, Sacsayhuaman, Qènko, Pucapucara e Tambomachay; conheci o Valle Sagrado dos Incas; visitei, ainda, Pisaq, Mercado Artesanal, Urubamba, Ollantaytambo, Chinchero e Maras (salinas).

Albergue 




Salinas de Maras
Além destas cidades, fiquei alguns dias em Aguas Calientes, também conhecida como Machu Picchu Pueblo, ponto mais perto para chegar a Machu Picchu, que dispõe de estação de trem a qual leva os turistas a este Santuário. Fica à beira do rio Urubamba, transmitindo um pouco da energia das ruínas Incas. Esta cidade dispõe de atrações, paisagens e curiosidades incríveis, destacando os banhos termaisque garantem aos visitantes relaxamento, purificação e renovação das energias antes de chegar a Machu Picchu. As temperaturas das piscinas termais variam de 38º a 46ºC e a visitação é aberta até às 20h. Em uma das noites que passei nesta cidade, fui à Plaza Manco Càpac, onde se concentram os principais hotéis, lojas, restaurantes e pontos turísticos como a Igreja da Virgen del Carmen, revestida em pedras, e a famosa estátua do personagem que deu nome ao local. Neste dia havia uma “banda” que me fez dançar como nunca. Foi uma delícia. O artesanato andino é responsável por boa parte da economia da cidade. Na feirinha havia uma variedade de peças e objetos artesanais, confeccionados pelos próprios moradores. Apesar de pequeno, o museu Manuel Chavez Ballón, próximo a Aguas Calientes, no caminho para Machu Pichu, preserva algumas peças e objetos incas importantes que ajudam a contar um pouco da história e da cultura dos antigos povos que passaram por ali.
Como Aguas Calientes é a cidade mais próxima de Machu Picchu, pode-se chegar às ruínas incas de várias formas: trem ou micro-ônibus ou a pé (um trajeto de, mais ou menos, 1:30h). Todas as opções permitem a apreciação de uma subida fascinante. Optei para ir de Aguas Calientes para Machu Pichu de trem, mas é possível partir diretamente de Cusco para Pisác e, depois, para Ollantaytambo a 21km de Urubamba, onde há o Templo del Sol, Manaracay ou Salão Real, o Incahuatana e o banho da princesa, onde pega o trem, à noite, para Aguas Calientes. Machu Picchu é um santuário histórico considerado patrimônio cultural e natural da humanidade e significa montanha velha. Foi criado para conquistar a floresta e/ou proteger o império. Sua construção é atribuída ao Inca Pachacutec. Eu tinha uma ideia distante da realidade de Machu Picchu. Fiquei surpresa ao me deparar, não com uma cidade real, mas com um verdadeiro santuário, de beleza extraordinária, onde é permitido ficar ou algumas horas ou durante o dia e retornar no final da tarde.
Ao retornar a Cusco, fui à Lima, capital do Peru, fundada em 1535, uma metrópole movimentada e uma das maiores cidades da América do Sul. Nela, está localizada a coleção de arte pré-colombiana do Museu Larco e do Museo de la Nación, que apresenta a história das civilizações antigas do Peru. A Plaza de Armas e a catedral do século XVI são o coração do centro histórico de Lima. Esta visita foi possível graças a uma amiga de Cusco que me convidou para ir até lá participar de uma cerimônia relacionada com o primo dela, que é padre. Aceitei o convite, pois aquela era uma novidade para mim. Uma estadia breve, mas rica de detalhes: além da cerimônia, visitei a cidade que, por sinal, é maravilhosa.
De Lima, eu, ela e o primo padre, fomos para Huaraz, capital do departamento de Ancash e da província de Huaraz. Foi uma longa viagem de ônibus, mas valeu à pena. Ao chegarmos lá, a família dela se reuniu para o almoço basicamente à base de raízes: diferentes tipos de batata doce e milho. Visitei a cidade logo no primeiro dia.
De Huaraz fui conhecer uma cidade vizinha, Yungay, uma das mais bonitas da região de Ancash, com uma vista privilegiada para o monte Huascarán (Parque Nacional de Huascarán, que se situa entre estas duas cidades). Em 31 de maio de 1970, Yungay foi vítima de uma das maiores tragédias naturais da América do Sul (um terremoto), sendo, literalmente, sepultada viva (a cidade e seus habitantes). Localizado a 1km ao sul da Nova Yungay, e a 56km ao norte de Huaráz, o Campo Santo Yungay é um bonito parque que foi criado sobre o lugar onde antes ficava a antiga cidade de Yungay. A estátua de Cristo me fez lembra do Rio de Janeiro-Brasil. Foi uma bênção conhecer o Parque.
Na chegada ao Parque Nacional de Huascarán (entre Yungay e Huaraz) foi cobrada uma taxa. No sopé da montanha Huascarán, na quebrada de Llanganuco, a natureza nos oferece um grande espetáculo: como dois espelhos do céu, as lagoas Chinancocha (laguna fêmea com água de tom azul mais intenso que a laguna macho) e Orconcocha (laguna macho), coladas uma na outra, presenteiam a natureza com uma cor indefinida, ou seja, nem verde nem azul, com montanhas ao fundo. A sua beleza nos deixou encantados. Só me resta recomendar a visita ao Parque Nacional Huascarán, ou seja, as lagoas de Llanganuco, que oferecem uma experiência quase mística, pois a conexão com a natureza é plena. A água é tão fria que optei pelo passeio num barco. A sensação foi divina! No retorno, ocorreu um deslizamento de terra com abertura de uma cratera. Tivemos que retornar caminhando (um hike surpresa). Foi uma descida nada fácil, mas deparamos com uma linda paisagem: água e montanhas.









Fenda que se abriu quando descíamos de Chinancocha
Depois fui para Arequipa, que foi a capital da era colonial da região de Arequipa. Minha grande motivação foi conhecer os três vulcões adormecidos que cercam a cidade: El Misti (em formato de cone, altura de 5.822m), Chachani (altura de 6.057) e Pichu-Pichu (formado por sete picos, altura de 5.650m). Todos não extintos, mas latentes quando lá estive. Esta cidade conta com edificações barrocas construídas com silhar, uma pedra vulcânica branca; o centro histórico é ancorado pela Plaza de Armas, praça principal imponente, ladeada ao norte pela Catedral Basílica neoclássica, construída no século XVII, que abriga um museu com objetos religiosos e obras de arte.














Passeata de trabalhadores 






De Arequipa parti para o Distrito Chivay, localizado no sul do Peru, na região de Arequipa (a 165km), em um vale profundo, cercado por montanhas. Uma cidadezinha artesanal, onde as pessoas usam roupas coloridas. Chivay estava tão fria que, à noite, para conseguir dormir, a proprietária do Hostel colocou garrafas plásticas com água quente para aquecer as minhas pernas. Embora tenha passado uma das piores noites no Peru, devo admitir que Chivay é mágica, sendo o lugar mais visitado no sul peruano pela paisagem, ar puro e existência dos maiores pássaros do mundo, os condores. Por isto, Chivay é usada como base para visitar Canyon del Colca ou Cânion Colorado do Peru, na bacia do rio Colca, cuja profundidade é de 3.400m e 100km de extensão, um dos mais fundos do mundo, junto com o vizinho Cânion do Cotahuasi. Chegamos no mirador na hora em que os condores estavam fazendo o seu sobrevoo matinal. Lindo demais!


Andes 

Pula corda 



Mirante de Canyon del Colca,
onde ficam os condores
Falcão domesticado (atração turística)
Fomos em uma Van, de Canyon del Colca para Puno. Era um dia gelado. Precisamos parar no caminho para irmos a um banheiro num bar de estrada em péssimas condições. Foi um dos percursos mais difíceis: muitíssimo frio, a neve e a névoa dificultavam a visualização do caminho.

A caminho de Puno: muito frio, neve e névoa.
Puno é uma cidade no sul do Peru, no Lago Titicaca, um dos maiores lagos da América do Sul e o corpo de água navegável mais elevado do mundo. A cidade é um centro de comércio regional e é também considerada a “capital folclórica” do Peru, devido aos festivais tradicionais com música e dança vibrante. Os pontos de referência incluem a Catedral de Puno, de estilo barroco andino, e o Yavari, um barco a vapor do século XIX. Fiz um passeio pelo Lago Titicaca a partir do cais em Puno, cidade que fica na fronteira entre o Peru e a Bolívia, na Cordilheira dos Andes. Este é um dos maiores lagos da América do Sul e o curso d’água navegável mais alto do mundo. Considerado o local de origem dos incas, ele abriga várias ruínas. Suas águas são calmas e límpidas, mas no retorno, parecia que estávamos em um mar muito agitado. Nos arredores, está localizada a Reserva Nacional do Titicaca, que abriga uma rara fauna selvagem aquática, tendo, por exemplo, sapos gigantes.

Num barco (bandeira do Peru) 
Lago Titicaca pela manhã (calmo) 


Lago Titicaca ao anoitecer 
Lago Titicaca ao anoitecer
São muitas as ilhas no Titicaca, com destaque para as ilhas flutuantes Uros e Taquile. As ilhas flutuantes e as respectivas “cabanas” são construídas com uma vegetação de junco que há no Lago, denominada totora, a qual é usada, também, como alimento. Numa das fotos em Uros, vocês podem me ver experimentando este alimento.









Totora
De Uros fomos conhecer Taquile, situada no lado peruano do Lago Titicaca, a 45 km da costa de Puno. Nesta ilha vivem cerca de 2.200 pessoas. O ponto mais alto da ilha fica a 4.050 metros acima do nível do mar e a vila principal fica a 3.950 metros.
No entanto, foi em Amantani que fiz turismo vivencial, numa casa cuja família só falava quéchua. Para ter acesso a esta ilha, fomos de barco e quando desembarcamos, percorremos em torno de 2,5km montanha acima, passando por casas e plantações. Para chegarmos ao topo da ilha subimos uma escadaria enorme e cansativa, mas a vista era deslumbrante. Como o meu pacote incluía estadia (turismo vivencial), eu e mais duas mulheres fomos recebidas pela família que nos hospedou. A casa era muito simples, com uma estrutura mínima, como previsto neste tipo de turismo. A família só falava quechua. Por isto, recebemos uma lista de palavras e expressões quechua, traduzidas no idioma de cada um, o que facilitou a comunicação. O que significa quéchua? Quíchua (qhichwa simi ou runa simi), também chamado de quechua ou quéchua, é uma importante família de línguas indígenas da América do Sul, ainda hoje falada por cerca de dez milhões de pessoas de diversos grupos étnicos da Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador e Peru, ao longo dos Andes. Possui vários dialetos inteligíveis entre si. É uma das línguas oficiais da Bolívia, Peru e Equador. Almoçamos e, depois, fomos à Plaza de Armas e ao Centro Cerimonial de Pachatata, que fica no centro da ilha. São ruinas da civilização pré inca, ainda usadas para rituais. À noite, em um fogão de lenha, o jantar foi preparado. Depois, tomamos banho frio, com um balde com água, e, depois, fomos a uma festa usando roupas típicas. Recomendo este tipo de turismo, embora reconheça que não é fácil. É um exercício de tolerância e paciência. Após dois dias, descemos um km montanha abaixo e embarcamos, novamente, em direção à Puno. A paisagem era de tirar o fôlego.
De Puno, retornei a Cusco (minha cidade base no Peru) e, depois, à Lima, passando pelo Deserto de Nasca, para retornar ao Brasil.
Enfim, o Peru é um país de raras belezas. A sua cultura é das mais ricas que conheci. Foi tudo de bom estar neste país, conhecer Lima, sua capital; passar um mês em Cusco, onde participei da Festa do Sol/Inti Raymi, passar quatro dias em Águas Calientes me deliciando com banhos térmicos, conhecer Machu Pichu, fazer a Trilha Inca. Foi maravilhoso aproximar-me da magia do Parque Nacional ao visitar Huaraz, Carhuaz, Yungay, Chinacocha ou LLaganuco; conhecer Arequipa e seus vulcões; sentir o frio cortante de Chivay; ir a Canyon del Colca; navegar no Lago Titicaca (o maior lago navegável do mundo) e conhecer muitas das suas ilhas, inclusive duas das ilhas flutuantes e fazer turismo vivencial em Amantani. Foram dois meses de encantamento.
Por fim, recomendo a Trilha Inca. A temporada baixa corresponde aos meses de março, abril, novembro e dezembro; a alta, aos meses de maio, junho, julho, agosto, setembro, outubro e janeiro. Por exemplo, numa trilha de 4 dias, no primeiro dia vai a Ollantaytambo e ao Grupo Arqueológico de Llactapata; no segundo dia, o desafio é o topo da montanha; no terceiro dia, visita aos grupos arqueológicos Runkurakay e Sayacmarca e, depois, a Phuyupatamarca; no quarto dia, visita a Porta do Sol e desce para Machu Picchu com retorno a Cusco. Neste “pacote” está incluso: transporte até o km 82, ingresso para Machu Picchu e alimentação; barracas, isolantes, carregadores de alimentos e barracas, material de primeiros socorros, serviço de guia, ônibus para descida de Machu Picchu para Aguas Calientes e trem de retorno. Deve-se, antes de fazer a trilha, providenciar: vacina contra febre amarela para a Trilha Salkantay (não é exigida para a trilha tradicional), mochila, roupa leve para caminhar, roupa quente para à noite, blusas com touca, luvas; capa de chuva, sapato de treck ou botas confortáveis, calças de treck, bloqueador solar, repelente, lanterna, pílulas de cloro para a água e remédio para gripe.
Boa viagem!







































